Para quem ainda não abandonou o blog, quase desativado, vai um desabafo contra a "grande imprensa", quase em um estilo Paulo Henrique Amorim, mas sem falar das drama queens do pretenso apagão (com a expedita atuação do ministério público na caça dos responsáveis!) e da tentativa de determinar o cenário eleitoral para além das preferências do eleitorado e das escolhas dos partidos.
O que me incomoda são os tabus da grande imprensa. Uns dias atrás o Palmeiras teve um gol equivocadamente anulado e o lance foi reprisado centenas de vezes, com inúmeros comentaristas. Pois nessa quarta-feira, em um lance confuso, na área do Sport - que jogava contra o Palmeiras - o juiz apita, a defesa e o goleiro do Sport param, o Palmeiras faz o gol e o juiz valida! Pasmem: o lance foi repetido para mostrar que não havia impedimento, mas não se discute o apito. Nada. Nem um som do gramado, nem uma câmera invertida... nada. O comentarista amador da Globo, ex-jogador de futebol, ainda menciona o fato rapidamente. Sepulcral silêncio, e mudança de assunto.
Outra coisa que me incomoda, além das centenas de manchetes sobre o cotidiano das celebridades, "fulana vai ao shopping com namorado" e coisas do gênero. Cléo Pires aparece esquelética em um ensaio sensual. Nenhuma palavra sobre o padrão de beleleza que se vende, sobre a questão de saúde, nada disso que já havia sido dito contra as modelos internacionais magérrimas.
Sobre Cléo, e sobre o Palmeiras, um silêncio respeitoso da imprensa brasileira em homenagem a seus mitos.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Ainda, e sempre, sobre o STF
Ainda sem tempo e alimentando o blog como a um faquir, trago post do Luis Nassif sobre a liminar para suspender os recursos contra a diplomação no TSE:
16/09/2009 - 09:22
A politização espúria do STF
Há algo de profundamente errado nesse processo pernicioso de politização do Supremo Tribunal Federal (STF), escancarado pela ação deletéria de seu presidente Gilmar Mendes.
Tome-se o caso do Ministro Eros Grau. Paira sobre ele a suspeita de uma ambição maior do que a riqueza, do que o compadrio, menos espúria do que a propina: ele almeja a imortalidade, ser um membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).
Uma das portas de entrada poderia ser o senador José Sarney que, dentre outros feitos, se imortalizou como acadêmico.
Em suas decisões, votos ou opiniões, Eros sempre preservou Sarney – o que em nada o compromete.
Mas o que está ocorrendo agora?
Nas eleições de 2006, o grupo de Sarney entrou com recursos no TSE contra a diplomação do governador eleito Jackson Lago, acusado de abuso de poder político. Relator do recursos, Eros foi favorável à cassação. Lago caiu e – só nesse país macunaímico – a candidata derrotada assumiu como governadora.
Antes da votação, o grupo de Lago entrou com um embargo, não reconhecendo o poder do TSE de apreciar casos originários. Ficou mofando na gaveta de Eros.
Agora, chegou a vez do TSE apreciar denúncia de abuso de poder econômico por Roseana. Eros se afasta do TSE e resolve apreciar o recurso, agora beneficiando diretamente Roseana: impedindo que seja julgada e não estendendo esse benefício ao processo que lhe deu de bandeja o cargo de governadora.
Tenho para mim, que, com algumas honrosas exceções,a atual geração de Ministros é responsável pelo maior processo de desmoralização do Supremo em período democrático.
16/09/2009 - 09:22
A politização espúria do STF
Há algo de profundamente errado nesse processo pernicioso de politização do Supremo Tribunal Federal (STF), escancarado pela ação deletéria de seu presidente Gilmar Mendes.
Tome-se o caso do Ministro Eros Grau. Paira sobre ele a suspeita de uma ambição maior do que a riqueza, do que o compadrio, menos espúria do que a propina: ele almeja a imortalidade, ser um membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).
Uma das portas de entrada poderia ser o senador José Sarney que, dentre outros feitos, se imortalizou como acadêmico.
Em suas decisões, votos ou opiniões, Eros sempre preservou Sarney – o que em nada o compromete.
Mas o que está ocorrendo agora?
Nas eleições de 2006, o grupo de Sarney entrou com recursos no TSE contra a diplomação do governador eleito Jackson Lago, acusado de abuso de poder político. Relator do recursos, Eros foi favorável à cassação. Lago caiu e – só nesse país macunaímico – a candidata derrotada assumiu como governadora.
Antes da votação, o grupo de Lago entrou com um embargo, não reconhecendo o poder do TSE de apreciar casos originários. Ficou mofando na gaveta de Eros.
Agora, chegou a vez do TSE apreciar denúncia de abuso de poder econômico por Roseana. Eros se afasta do TSE e resolve apreciar o recurso, agora beneficiando diretamente Roseana: impedindo que seja julgada e não estendendo esse benefício ao processo que lhe deu de bandeja o cargo de governadora.
Tenho para mim, que, com algumas honrosas exceções,a atual geração de Ministros é responsável pelo maior processo de desmoralização do Supremo em período democrático.
sábado, 29 de agosto de 2009
Para pensar
"Parece difícil pensar que la constitución signifique algo, em cualquier lugar, para el hombre medio triturado entre las fuerzas de arriba y de abajo; su actitud ante 'su' constitución es de indiferencia, porque ésta se muestra indiferente ante él. La masa del pueblo es lo suficientemente lúcida para reclamar un mínimo de justicia social y de seguridad económica. Pero ni la más perfecta constitución está en situación de satisfacer estos deseos, por más pretencioso que pueda ser el catálogo de derechos fundamentales económicos y sociales. La constitución no puede salvar el abismo entre pobreza y riqueza; no puede traer ni comida, ni casa, ni ropa, ni educación, ni descanso, es decir, las necesidades esenciales de la vida".
Karl Loewenstein, Teoría de la constitución, p. 229.
Karl Loewenstein, Teoría de la constitución, p. 229.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Investigações filosóficas
Ando angustiada, bem naquele momento em que a tese não desenvolve, em que a cada texto lido você acha mais três referências indispensáveis, e que a banca não está ainda definida e o prazo se escoa, escorrendo entre os dedos...
Enquanto isso, acompanho à distância as articulações eleitorais para forjar imagens (normalmente negativas), alavancar candidaturas, especular o imponderável, tudo com um vasto apoio profundamente parcial da grande imprensa. Ainda me surpreendo com algumas propostas de regras eleitorais, como a possibilidade de propaganda paga (!!!) nos portais da internet, e me pergunto, até quando?
Estava esses dias pensando em tudo isso enquanto levava a pequena para escola e, para não pensar mais, resolvi contar uma historinha para ela, que tem dois anos e meio e está na fase mais aguda (espero) dos porquês e das perguntas. De repente, ela me vem com essa: "Mamãe, o que é vida?".
Eu paro e sorrio: ora, eu me preocupando com o dia-a-dia, com a minha titulação, com as coisas mundanas... e vem essa nanica me trazer um pouco de metafísica! Ao contrário de Fernando Pessoa como Alberto Caeiro, não lhe respondi "olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates". Segui sorrindo e muito mais leve, percebendo que as coisas erradas andam perturbando meu sono.
Enquanto isso, acompanho à distância as articulações eleitorais para forjar imagens (normalmente negativas), alavancar candidaturas, especular o imponderável, tudo com um vasto apoio profundamente parcial da grande imprensa. Ainda me surpreendo com algumas propostas de regras eleitorais, como a possibilidade de propaganda paga (!!!) nos portais da internet, e me pergunto, até quando?
Estava esses dias pensando em tudo isso enquanto levava a pequena para escola e, para não pensar mais, resolvi contar uma historinha para ela, que tem dois anos e meio e está na fase mais aguda (espero) dos porquês e das perguntas. De repente, ela me vem com essa: "Mamãe, o que é vida?".
Eu paro e sorrio: ora, eu me preocupando com o dia-a-dia, com a minha titulação, com as coisas mundanas... e vem essa nanica me trazer um pouco de metafísica! Ao contrário de Fernando Pessoa como Alberto Caeiro, não lhe respondi "olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates". Segui sorrindo e muito mais leve, percebendo que as coisas erradas andam perturbando meu sono.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
O inaceitável...
Novamente me desculpo pelo blog-faquir, mas a tese sofreu uma reestruturação após a banca de qualificação e isso está me ocupando um tempo danado.
Uma coisa me obrigou a escrever, no entanto. A indignação da imprensa com o pedido - atendido - da neta do Sarney.
Ora, a neta pediu um emprego público para o namorado. E conseguiu.
A República não pode conviver com isso! Ele ter sido o presidente do PDS durante a ditadura militar, o vice da Aliança Democrática, assumido a presidência sem ter tomado posse como vice-presidente, lutado para aumentar seu próprio mandato, tentado restringir a atuação da Assembléia Nacional Constituinte, acabado com a economia com planos fabulosos, mantido uma política patrimonialista durante todo esse tempo, estabelecido um mando familiar em dois estados... tudo bem! Mas arrumar um emprego público para o namorado da neta, daí não dá. Isso sim mostra como ele não serve para a política brasileira.
Francamente... até quando abusarão da nossa paciência?
Uma coisa me obrigou a escrever, no entanto. A indignação da imprensa com o pedido - atendido - da neta do Sarney.
Ora, a neta pediu um emprego público para o namorado. E conseguiu.
A República não pode conviver com isso! Ele ter sido o presidente do PDS durante a ditadura militar, o vice da Aliança Democrática, assumido a presidência sem ter tomado posse como vice-presidente, lutado para aumentar seu próprio mandato, tentado restringir a atuação da Assembléia Nacional Constituinte, acabado com a economia com planos fabulosos, mantido uma política patrimonialista durante todo esse tempo, estabelecido um mando familiar em dois estados... tudo bem! Mas arrumar um emprego público para o namorado da neta, daí não dá. Isso sim mostra como ele não serve para a política brasileira.
Francamente... até quando abusarão da nossa paciência?
sábado, 11 de julho de 2009
E o Beto?
Mais denúncias de caixa dois, de uso de poder político na campanha do Beto Richa... E daí, o que se fará? As ações eleitorais estão esgotadas, o prefeito tem maioria absolutíssima na Câmara de Vereadores... E como se provaria a potencialidade de alterar o resultado da eleição com a votação que ele obteve? Talvez reste a via da ação de improbidade. E certamente é a hora de repensarmos a possibilidade de reeleição.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Sobre o voto distrital
Depois de uns dias silenciosos, entre tosses da pequena e qualificação da tese, voltei. Desta vez para compartilhar uma leitura curiosa, nessa minha cruzada para entender porquê insistem, nova e novamente, no sistema distrital de votação.
Recomendo a análise que Helvécio de Oliveira Azevedo faz sobre "A política brasileira, os sistemas eleitorais e o voto distrital no Império e na República" no livro de Themistocles Brandão Cavalcanti, "O voto distrital no Brasil", publicado pela FGV em 1975.
Vale refletir sobre as análises feitas e sobre os efeitos do sistema que, em determinada época da República Velha, fazia coincidir a divisão dos distritos com as áreas dominadas pelos maiores coronéis (p. 178). E é curioso ler os pronunciamentos nas casas legislativas sobre o sistema eleitoral. E ver que ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.
Recomendo a análise que Helvécio de Oliveira Azevedo faz sobre "A política brasileira, os sistemas eleitorais e o voto distrital no Império e na República" no livro de Themistocles Brandão Cavalcanti, "O voto distrital no Brasil", publicado pela FGV em 1975.
Vale refletir sobre as análises feitas e sobre os efeitos do sistema que, em determinada época da República Velha, fazia coincidir a divisão dos distritos com as áreas dominadas pelos maiores coronéis (p. 178). E é curioso ler os pronunciamentos nas casas legislativas sobre o sistema eleitoral. E ver que ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.
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